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Caso Master

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Núcleo Master

Da Máxima ao Master: como o banco foi montado

O caso não começa na prisão em Guarulhos. Em 2017 o Banco Central barrou a primeira tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Máxima. Em agosto de 2019 aprovou, e o Máxima virou Master. O crescimento veio de dois lados: CDBs pagando até 140% do CDI, vendidos sob o argumento da garantia do FGC, e o consignado do Credcesta, cartão nascido da privatização da Ebal na Bahia em 2018. Pelos dados do próprio Banco Central, o ativo saiu de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 63 bilhões em 2024, dezessete vezes em cinco anos. Em 2024 o banco anunciou lucro de R$ 1 bilhão — um ano antes da liquidação. De 2020 corria na CVM o processo sobre o fundo Brazil Realty que, em setembro de 2026, resultaria na única condenação até agora: administrativa, de R$ 201,5 milhões.

Afirmações 17

Ninguém citado neste site foi condenado criminalmente até agora.

Fato Banco Central barra a primeira tentativa de Vorcaro comprar um banco

Em 2017, Daniel Vorcaro pediu autorização ao Banco Central para assumir o controle do Banco Máxima, instituição carioca nascida da Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. O pedido foi rejeitado por Sidnei Marques, então diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC. Segundo a reconstrução publicada pela Agência Pública, a operação de compra tinha entre os investidores Oliver Ortiz de Zarate Martin, identificado na reportagem como narcotraficante espanhol, com a operação passando pela corretora Sefer Investimento.

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Fato A Bahia privatiza a Ebal, e junto vai o cartão que viraria o consignado do Master

A Ebal, Empresa Baiana de Alimentos, foi criada em 1980 no governo de Antônio Carlos Magalhães e operava a rede de mercados Cesta do Povo. Jaques Wagner sancionou no fim de 2014 a lei que autorizava a privatização. Duas tentativas de venda fracassaram, em janeiro de 2016 e em março de 2018, ambas com lance mínimo de R$ 81 milhões. Na terceira, em 12 de abril de 2018, a NGV Empreendimentos e Participações arrematou o controle acionário da empresa, as 49 lojas da Cesta do Povo e o Credcesta por R$ 15 milhões.

Ebal Credcesta Jaques Wagner

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Fato Dezesseis dias depois, dois decretos ampliam a margem do cartão

Em 27 de abril de 2018, dezesseis dias após a privatização, o governador Rui Costa assinou dois decretos que abriram ao Credcesta um limite exclusivo de 30% de comprometimento dos salários líquidos dos servidores públicos estaduais. Em janeiro de 2019, o governo baiano enviou novos cartões aos funcionários, já operados por Augusto Ferreira Lima, agora com possibilidade de saque em dinheiro.

Rui Costa Credcesta Augusto Ferreira Lima

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Fato O cartão baiano chega a Vorcaro

Em junho de 2018, a NGV transferiu os direitos do Credcesta para a PKL One Participações, com o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, o Guga, atuando nos bastidores. Ainda em 2018, Lima procurou Daniel Vorcaro, do Banco Máxima, que pouco depois viraria Banco Master. O Credcesta se tornaria uma das bases da carteira de crédito consignado do grupo.

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Fato “Estou há dois anos sendo rechaçado, humilhado pelo BC”

Segundo a Agência Pública, em 9 de fevereiro de 2019 Vorcaro escreveu a Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de Fiscalização do Banco Central: "Estou há dois anos sendo rechaçado, humilhado pelo BC", pedindo ajuda para destravar a aprovação. Dois dias depois, Vorcaro e o presidente da Febraban, Isaac Sidney, reuniram-se com Souza.

Daniel Vorcaro Paulo Sérgio de Souza Banco Central do Brasil Isaac Sidney Febraban

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Fato O Banco Central aprova, e o Máxima vira Master

Em agosto de 2019, o Banco Central reexaminou o pedido e aprovou a transferência de controle. O Banco Máxima foi rebatizado como Banco Master e passou a crescer de forma acelerada, com um modelo agressivo para o padrão brasileiro: CDBs com taxas que chegavam a 140% do CDI, vendidos com o argumento de que estavam cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos, que assegura até R$ 250 mil por pessoa em caso de liquidação.

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Fato A CVM já acusava Vorcaro e a corretora do grupo desde 2019

Em 22 de outubro de 2019, dois meses depois de o Banco Central aprovar a transferência de controle do Banco Máxima, a CVM abriu o processo sancionador 19957.009798/2019-01 para "apurar irregularidades na emissão e distribuição de debêntures e de CRI's", por infração à Instrução CVM nº 08/79, que trata de práticas não equitativas e manipulação no mercado. Entre os acusados estavam Daniel Bueno Vorcaro e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários — a corretora que deu origem ao grupo e que no termo de acusação ainda aparece pelo nome antigo, Máxima S.A. CCTVM —, além da Sefer Investimentos, da Centara Investimentos, da Simsan Construções e da Foco DTVM.

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Fato CVM abre o processo que levaria seis anos para julgar

Em 12 de novembro de 2020, a área técnica da CVM abriu o Processo Administrativo Sancionador 19957.007976/2020-94 para apurar irregularidades na emissão e distribuição de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. O objeto, segundo a autarquia, era "operação fraudulenta no mercado de capitais, cumulada com violação de deveres fiduciários e informacionais e prática de embaraço à fiscalização", relacionada à terceira emissão de cotas do fundo, feita em 2018, que captou R$ 139,1 milhões. Entre os dezenove acusados estavam o Banco Master, Daniel Vorcaro, o pai Henrique Moura Vorcaro, o primo Felipe Cançado Vorcaro, a Viking Participações, a Entre Investimentos e a Sefer Investimentos — a mesma corretora citada pela Agência Pública na operação de compra do Banco Máxima em 2017.

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Decisão Em 2020 o caso termina em acordo, sem admissão de culpa

Em 1º de dezembro de 2020, a CVM aceitou propostas de termo de compromisso de oito acusados desse processo, entre eles Daniel Bueno Vorcaro e a corretora do grupo. O termo de compromisso é um acordo previsto em lei em que o acusado se compromete a cessar a prática e a indenizar prejuízos, e o processo é suspenso para ele sem que haja julgamento nem reconhecimento de culpa. Para a Centara Investimentos, o processo foi encerrado por extinção de punibilidade em primeira instância, em 17 de julho de 2023.

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Fato Em 2021, a família tenta o mesmo acordo no caso do fundo imobiliário

No processo sobre o fundo Brazil Realty, os acusados apresentaram defesas entre junho e setembro de 2021. Em 25 de outubro de 2021, Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro enviaram propostas de termo de compromisso, e em 29 de outubro foi a vez de Daniel Bueno Vorcaro, do Banco Máxima S/A e da Viking Participações. A Espaço Engenharia e Túlio Carneiro Rocha optaram por não propor acordo; a Talent Construtora e Pedro Henrique Barbosa da Cruz também não, em janeiro de 2022; Antônio Carlos Freixo Júnior e a Entre Investimentos propuseram em julho de 2022. Diferentemente do que ocorreu em 2020, os acordos não prosperaram, e o caso foi a julgamento: em 8 de setembro de 2026 o colegiado condenou dezesseis acusados.

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Fato Em 2021 o banco já valia quase o triplo de dois anos antes

Segundo o IF.data, base pública do Banco Central, o Banco Master S/A fechou dezembro de 2021 com R$ 10,35 bilhões de ativo total, R$ 9,03 bilhões em captações, R$ 4,05 bilhões de carteira de crédito classificada, patrimônio líquido de R$ 647,5 milhões e lucro líquido de R$ 104,3 milhões. O ativo era 2,8 vezes o de dezembro de 2019. O Índice de Basileia do conglomerado prudencial estava em 10,37%, o menor da série entre 2019 e 2024.

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Fato Já em 2023 a fiscalização do BC via o problema se formando

Na resposta que entregou ao Tribunal de Contas da União em 29 de dezembro de 2025, o Banco Central apresentou a cronologia da própria fiscalização. Segundo esse documento, ainda em 2023 a área de supervisão identificou fragilidades no Banco Master: crescimento acelerado do passivo e concentração em ativos de baixa liquidez, sobretudo precatórios. Nos anos seguintes, o BC exigiu aportes de capital, recusou operações por dúvidas sobre a origem dos recursos, comunicou achados às autoridades de investigação e impôs restrições ligadas ao FGC que limitavam a captação de depósitos. A estratégia da resposta, segundo a CNN, era demonstrar que "a liquidação foi o desfecho de um processo longo, técnico e documentado".

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Fato Em 2024 o Banco Central aprova Vorcaro para controlar mais um banco

Em julho de 2024, o Banco Central aprovou Daniel Vorcaro para assumir o controle do antigo Indusval, que passou a se chamar Banco Voiter. Foi um ano antes de o mesmo BC autorizar a transferência desse banco a Augusto Ferreira Lima, sócio de Vorcaro no Master.

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Fato Dezessete vezes maior em cinco anos, segundo o próprio Banco Central

A série do IF.data mostra o ativo total do Banco Master S/A saindo de R$ 3,70 bilhões em dezembro de 2019 para R$ 63,01 bilhões em dezembro de 2024 — dezessete vezes em cinco anos —, e chegando a R$ 68,34 bilhões em março de 2025. Ano a ano: R$ 3,70 bi (2019), R$ 6,07 bi (2020), R$ 10,35 bi (2021), R$ 20,54 bi (2022), R$ 36,14 bi (2023) e R$ 63,01 bi (2024). As captações acompanharam, de R$ 3,23 bilhões para R$ 53,92 bilhões. A carteira de crédito classificada foi de R$ 883,3 milhões a R$ 22,46 bilhões, e o patrimônio líquido de R$ 219,6 milhões a R$ 4,74 bilhões. O Índice de Basileia do conglomerado prudencial oscilou pouco: 10,82% em 2019, 10,37% em 2021, 12,32% em 2022 e 11,52% em 2023 e 2024. Estes são os números da instituição individual; o balanço consolidado que o banco divulgou em abril de 2025 traz outros valores para lucro e carteira, por incluir as demais empresas do grupo.

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Fato Em um ano o banco quase dobra de tamanho, e anuncia lucro de R$ 1 bilhão

Em balanço divulgado em 1º de abril de 2025, o Banco Master registrou lucro de R$ 1 bilhão em 2024, quase o dobro dos R$ 523 milhões de 2023. O patrimônio líquido saltou de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões, os ativos totais foram de R$ 36 bilhões para R$ 63 bilhões, e a carteira de crédito ficou em R$ 40,31 bilhões. As receitas com operações de crédito somaram R$ 4,2 bilhões, alta de 54,16% sobre os R$ 2,7 bilhões de 2023. O banco atribuiu o crescimento ao aumento da atuação no varejo, com investimentos no consignado da Credcesta e na base de clientes do Will Bank. Para captar, oferecia até 140% do CDI, contra taxas médias de 110% a 120% praticadas por bancos pequenos.

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Fato “O FGC virou uma espécie de seguro para vender produtos podres”

Em reportagem publicada em 5 de dezembro de 2025, especialistas ouvidos pela Agência Pública apontaram que o Fundo Garantidor de Créditos, criado em 1995 para proteger depósitos de até R$ 250 mil, acabou usado como argumento de venda de produtos de risco. A pesquisadora Lucía Ferrés Zakia, especialista em regulação financeira, afirmou que "o mercado sabia que um banco pequeno como o Master prometer rendimentos de 140% em certas aplicações era irreal" e que o FGC "virou uma espécie de seguro para vender produtos podres". Carlos Primo Braga, ex-diretor do Banco Mundial, questionou como agências de classificação e auditorias não identificaram as fraudes, já que a Fitch e auditorias respeitadas atribuíam avaliações positivas ao banco.

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Decisão A única condenação até agora é administrativa: R$ 201,5 milhões

Em 8 de setembro de 2026, o colegiado da CVM condenou por unanimidade dezesseis acusados, somando R$ 201,5 milhões em multas. Daniel Vorcaro e o pai, Henrique Moura Vorcaro, apontados como os principais articuladores, receberam R$ 20 milhões cada; o Banco Master, R$ 12,5 milhões; a Entre Investimentos, R$ 10 milhões; Antônio Carlos Freixo Júnior e Felipe Cançado Vorcaro, R$ 5 milhões cada; a Sefer Investimentos, R$ 1,3 milhão; e outros quatro envolvidos, R$ 120 mil cada. Segundo a CVM, o grupo incorporou ao fundo Brazil Realty ativos imobiliários com valores artificialmente elevados — um imóvel teria passado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,8 milhões — e a Entre Investimentos realizou 177 operações, R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas, para criar liquidez artificial das cotas no mercado secundário. Os investidores tiveram R$ 5,8 milhões em prejuízos realizados. O relator foi o diretor João Accioly. Cabe recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Esta é uma condenação administrativa, não criminal.

CVM Daniel Vorcaro Henrique Vorcaro Felipe Cançado Vorcaro Banco Master Brazil Realty FII Entre Investimentos Sefer Investimentos Viking Participações

Resposta do citado A advogada de Daniel Vorcaro questionou a falta de provas individualizadas de dolo na conduta do empresário. Representantes da Entre Investimentos alegaram que a acusação não comprovou ardil nem vantagem ilícita. Poder360 — CVM multa Vorcaro e Master em R$ 201,5 milhões por fraude (nível 2, 08/09/2026)
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Registrado em 14/09/2026 · atualizado em 14/09/2026