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Caso Master

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O caso Master em poucas linhas

O Banco Master era um banco de porte médio controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Cresceu depressa oferecendo CDBs com rendimento acima do mercado, vendidos em plataformas de investimento e cobertos pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos. Segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o banco assumiu riscos excessivos e inflou artificialmente o balanço; quando foi liquidado, tinha em caixa apenas 10% do que precisava para pagar os CDBs que venciam.

Em 2025 o Master tentou se vender ao BRB, o banco do governo do Distrito Federal, e o Banco Central vetou o negócio. Em 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, quando embarcava para Dubai. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o banco e a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura a venda de carteiras de crédito sem lastro. O FGC assumiu o maior pagamento de garantias da sua história.

A partir daí o caso se ramificou. No STF, o inquérito passou por dois relatores: Dias Toffoli, que deixou o caso depois que a PF encontrou menções a ele no celular de Vorcaro, e André Mendonça. Relatórios da PF passaram a descrever ligações do banqueiro com senadores, um ex-governador, o filho do ex-presidente Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, cujo escritório da família tinha contrato milionário com o banco. Em setembro de 2026, a divulgação desse último relatório abriu uma crise dentro do próprio STF.

Nada disso é sentença. Ninguém citado foi condenado. O site registra o que foi dito, por quem e com que fonte; cada afirmação está marcada como fato, decisão ou alegação, e alegação é sempre atribuída a quem a fez.

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A origem: da Máxima ao Master {2017..2025-04}

O caso não começa na prisão. Em 2017, Daniel Vorcaro pediu autorização ao Banco Central para assumir o controle do Banco Máxima, banco carioca nascido de uma corretora, e foi barrado. Em fevereiro de 2019 escreveu ao então diretor de Fiscalização do BC dizendo estar "há dois anos sendo rechaçado, humilhado pelo BC"; dois dias depois reuniu-se com ele ao lado do presidente da Febraban. Em agosto de 2019 a autorização saiu, e o Máxima virou Banco Master.

O crescimento veio de dois lados. De um, CDBs pagando até 140% do CDI — contra 110% a 120% dos bancos pequenos —, vendidos sob o argumento de que estavam cobertos pelo FGC até R$ 250 mil. De outro, o crédito consignado da Credcesta, cartão nascido da privatização da Ebal na Bahia em abril de 2018 e que chegou a Vorcaro no mesmo ano. Em 2024 o banco anunciou lucro de R$ 1 bilhão e ativos de R$ 63 bilhões, quase o dobro do ano anterior. A liquidação viria dezenove meses depois. Caso: Da Máxima ao Master: como o banco foi montado.

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Antes da queda: o BRB e o Banco Central

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Em março de 2025, o conselho do BRB aprovou a compra de 58% do Master. O Cade e a Câmara Legislativa do DF aprovaram a operação, mas em setembro o Banco Central a indeferiu, apontando risco excessivo nos ativos do Master para um banco público. A PF sustenta hoje que, antes disso, o Master já vendia ao BRB carteiras de crédito "insubsistentes", em operações de R$ 12,2 bilhões, e que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria recebido imóveis de luxo como vantagem; ele foi preso em abril de 2026 e a defesa contesta. Em maio de 2025, o FGC já havia montado uma operação de suporte ao grupo para honrar credores. A PF também aponta dois servidores do Banco Central que teriam orientado Vorcaro sobre a fiscalização, e o BC liquidou a Reag Investimentos, gestora ligada a fundos do PCC cujos clientes incluíam o Master. Casos: BRB tenta comprar o Master e o Banco Central veta, Supervisão do Banco Central: servidores investigados e a defesa de Campos Neto e Reag: a gestora ligada ao PCC que operava com o Master e foi liquidada.

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A prisão e a liquidação

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Em 17 de novembro de 2025, horas depois de a Fictor anunciar a compra do Master com investidores dos Emirados, Vorcaro foi preso em Guarulhos. No dia 18, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, do Master de Investimento, do Letsbank e da corretora, citando "grave crise de liquidez" e "graves violações às normas". Onze dias depois, o TRF-1 soltou o banqueiro e quatro sócios com tornozeleira eletrônica. A Fictor, que suspendeu a compra, pediu recuperação judicial em fevereiro. Em janeiro e março de 2026, o BC liquidou também a Will Financeira e o Banco Master Múltiplo, e impôs sigilo de oito anos aos documentos. Casos: Vorcaro é preso e o Banco Master é liquidado e Banco Central liquida o restante do grupo e impõe sigilo de oito anos.

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O maior pagamento da história do FGC

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O FGC, fundo mantido pelos próprios bancos, estimou em R$ 41 bilhões as garantias devidas a 1,6 milhão de credores, mais do que o recorde anterior, do Bamerindus, em 1997. Os pagamentos começaram em 17 de janeiro de 2026. Somadas as liquidações da Will Financeira e do Banco Pleno, a estimativa subiu a R$ 51,7 bilhões, e o fundo precisou de R$ 32 bilhões de contribuições antecipadas dos bancos para recompor as reservas. Caso: O maior rombo da história do FGC.

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O caso no STF: Toffoli, o resort e a troca de relator

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No STF, o inquérito ficou com o ministro Dias Toffoli, que em janeiro de 2026 bloqueou R$ 5,7 bilhões de 38 investigados. Em fevereiro, a PF pediu sua suspeição: no celular de Vorcaro havia conversas entre o banqueiro e o cunhado, Fabiano Zettel, ligadas a um resort no Paraná cuja empresa tinha primos do ministro como sócios. Toffoli chamou o pedido de "ilações", admitiu a sociedade dos parentes e negou ter recebido valores. Em 12 de fevereiro, deixou a relatoria; André Mendonça foi sorteado, e Edson Fachin arquivou o pedido de suspeição. Caso: A PF pede a suspeição de Toffoli.

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A segunda prisão e a "Turma"

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Em 4 de março de 2026, Mendonça autorizou a terceira fase da Compliance Zero e Vorcaro voltou à prisão. A PF sustenta que ele coordenava um núcleo de intimidação e obstrução, "A Turma", e um grupo de ataques digitais, "Os Meninos", que teriam seguido atuando depois das prisões; em maio, o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso. Duas propostas de delação de Vorcaro foram rejeitadas pela PF, por omitir aliados políticos. Em julho, a PF apontou uma campanha paga nas redes contra a credibilidade do Banco Central. A defesa nega todas as acusações. Caso: Vorcaro é preso de novo; PF aponta grupo de intimidação.

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Os políticos

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Entre maio e agosto de 2026, as fases seguintes da operação alcançaram políticos. A PF aponta repasses mensais de Vorcaro ao senador Ciro Nogueira e diz que a "emenda Master", que elevaria a garantia do FGC a R$ 1 milhão, foi escrita pela assessoria do banco; o senador nega e fala em perseguição. Relatórios descrevem apartamento, ingressos e aeronaves a familiares do senador Jaques Wagner, e a decisão de Mendonça aponta favorecimento dele e do ministro Rui Costa a um negócio de 2018 ligado ao ex-sócio do Master Augusto Ferreira Lima. O Intercept revelou que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro dinheiro para o filme "Dark Horse", sobre o pai; o senador confirma o pedido de patrocínio e nega irregularidade. A oitava fase mirou o ex-governador Cláudio Castro por aportes de R$ 3 bilhões da Rioprevidência no Master. Mensagens citam ainda Nikolas Ferreira, que recebeu o contato do banqueiro pelo pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, e ACM Neto. Na delação rejeitada, Vorcaro teria dito que as doações de 2022 do cunhado a Bolsonaro e Tarcísio eram contrapartida de um acerto com Gilberto Kassab, que nega. Casos: PF aponta vantagens a Ciro Nogueira e 'emenda Master' no FGC, PF aponta vantagens a Jaques Wagner e favorecimento no Credcesta, Dark Horse: Vorcaro teria financiado filme sobre Bolsonaro a pedido de Flávio, PF investiga aportes da Rioprevidência no Master e mira Cláudio Castro, Nikolas, o pastor da Lagoinha e Vorcaro, PF aponta "apoio total" de ACM Neto a Vorcaro e cita decisão de Mendonça, Vorcaro alega que doações de 2022 a Bolsonaro e Tarcísio eram propina e Consignado em Mato Grosso: STJ investiga ex-governador por favorecimento ao Master.

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Moraes, o escritório da família e o relatório da PF

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Em dezembro de 2025, O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em março de 2026, o jornal noticiou mensagens de Vorcaro a Moraes no dia da prisão; o gabinete negou tê-las recebido e falou em "ilação mentirosa". Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF: segundo a PF, Fábio Faria intermediou o primeiro contato, houve jantares e encontros, um segundo contrato de R$ 50 milhões, e, minutos antes de ser preso, Vorcaro escreveu a um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA". Moraes não respondeu às reportagens de setembro; passou a se manifestar nos autos, cobrando a divulgação integral do caso. Caso: PF aponta relação entre Vorcaro e Moraes e contrato com escritório da família.

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A crise no STF, em andamento

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A divulgação do relatório abriu um confronto inédito. O procurador-geral Paulo Gonet pediu a anulação da investigação, alegando que Mendonça não podia investigar um colega. Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, com base em relatórios de inteligência da PF sobre o relator. Em 8 de setembro, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, dizendo ter sido monitorado por mais de trinta dias; no dia seguinte, Flávio Dino derrubou o afastamento, apontando que o partido que o pediu não tinha legitimidade e que a matéria não era de Mendonça — e, horas depois, Edson Fachin suspendeu as duas decisões, manteve o diretor no cargo e avisou ser "grave" que ministros desafiem decisões uns dos outros. O relator também passou a ser alvo: um áudio do advogado do Master Ciro Rocha Soares sugeriu um terno feito para ele, e Mendonça apresentou as notas pagas pela família.

Edson Fachin convocou sessão extraordinária para 15 de setembro e assumiu a relatoria do caso. Antes dela, Moraes acusou o colega de "escolha seletiva" ao liberar 4.334 dos 4.514 documentos, Cristiano Zanin pediu acesso à íntegra do celular de Vorcaro, Fachin deu 24 horas a Mendonça para liberar tudo e cerca de três mil entidades empresariais lideradas pela Fiesp cobraram decisão "sem subterfúgios e sem corporativismo".

A sessão terminou sem decidir. Kássio Nunes Marques declarou-se impedido por presidir o TSE às vésperas da eleição e Dias Toffoli declarou-se suspeito. Gilmar Mendes propôs juntar os dois casos e sortear novo relator, e o plenário rachou 4 a 3 pela manutenção dos julgamentos separados. Antes que se chegasse ao mérito — as mensagens, a regularidade da ordem de Mendonça, o pedido de anulação da PGR —, Flávio Dino pediu vista. Tem até 90 dias para devolver, prazo que atravessa a eleição. Dois dias depois, Fachin cancelou também a sessão de 23 de setembro que julgaria a conduta de Mendonça: como a questão de ordem toca a regularidade da própria relatoria, os dois julgamentos ficaram travados juntos, sem nova data. Enquanto isso o inquérito do Master segue parado por ordem de Fachin — Mendonça continua relator nominal, mas não pode autorizar diligência nem homologar delação. Casos: Mendonça e Vorcaro: o encontro, o terno e o depoimento no gabinete, Mendonça × Moraes: um ministro pede a investigação do outro e A crise no STF: o afastamento do diretor da PF e a sessão de 15 de setembro.

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O Congresso

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O pedido de CPMI do Banco Master, com 280 assinaturas, ficou meses sem instalação. A CPI do Crime Organizado do Senado ouviu Galípolo e terminou rejeitando, por 6 votos a 4, relatório que pedia o indiciamento de três ministros do STF e do procurador-geral. Mendonça dispensou Vorcaro de depor. A Comissão de Assuntos Econômicos derrubou o sigilo da auditoria do TCU e propôs novas regras para o FGC e para a venda de títulos bancários em plataformas. Caso: Congresso: CPI do Crime rejeita indiciar ministros e a CPMI do Master não sai.

Trilhas de leitura → Explorar a linha do tempo → Quem é quem →